Eu ando com a vida transbordando de um jeito que não dá tempo para pensar no lado pessoal, senão desabo. E eu sei que agora eu não posso me dar ao luxo - que, eu sei, não é nada luxo. Vesti o colete à prova de balas e, na boca, colei o oi-oi-tô-bem com um pedaço de Micropore cor da pele. Mas a pouco, durante uma pesquisa de trabalho, dei de cara com um post da jornalista Cora Ronai, que eu adoro, falando do Moska, gatinho dela que se foi por causa da PIF, um tipo de AIDS felina.
Li e de-sa-bei. Tô aqui chorando que nem menino pequeno. Olhos já inchados, suspiro, nariz escorrendo e pele molhada. A gente fica mesmo esquisito em situações assim... acabo de ser inspecionada por minha gata Filó, que pulou da TV para a mesa especificamente para enfiar o focinho nos meus cílios, nariz e olhos, no mínimo em busca de uma explicação ou sei lá de quê.
Mas, enfim, o colete está aqui funcionando, mas a pele continua molhada. Minha lição de casa... sinto muito, chefe, hoje não rola mais. Tô aqui de tórax contraído e pele encharcada pensando nas palavras finais do post e na saudade de minha gata Sofia, que faleceu em 2006. “Vai passar, eu sei, mas está doendo muito.” Passa? Passa não. A gente aprende a vestir o colete – que , muitas vezes, não funciona. Mas a gente veste mesmo assim e pede ajuda ao Micropore.